Rosa dos ventos que bate e voa Palavras que feitas para rimar atuam Ventos que vive e que me impeça que morra Atores que estão aqui para cantar lutam Quero correr o palco é infinito Mostro minha face feliz mostro minha face triste Faço um teatro sobre todo meu íntimo Conto uma palavra que voa e insiste O palco é infinito como o amor O palco é infinito como o céu O palco é infinito como a dor O palco é a vida de um ser O palco é a vida dum ator dum cantor O palco é viver ou morrer
23.8.10
16.7.10
Águas Frias
Depois de um tanto de tempo, e de ter reorganizado um pouco a vida; um pequeno soneto.
As águas do passado eram frias
Turvas eram as águas do passado
Cada lembrança que considero minhas
Temo que o tempo tenha parado
No que chamo de meio termo
Inédita inércia de meus dias
Aquilo tudo que ainda não temo
Vejo as águas do passado, ainda frias
Imaculada é a imagem de mim mesmo
Quando caí de um sonho renovado
Quando vi no espelho a imagem que temo
E temo que das minhas memórias tu rias!
Mas sou a piada que mais parece homem
E sei que não passaram mais as águas frias
28.5.10
Se ela passasse
Se ela passasse denovo talvez eu acreditaria que o tempo teria voltado. Meu coração já que não ama mais, daquele tipo amor febril adolescente, anda e volta sem ter medo e sem ter raiva. Se ela passasse denovo eu faria um soneto.
"Se ela passasse denovo"
Não tive rima para usar.
No carro de noite, uma vida modesta, uma vida sem ninguém. Onde eu trabalho eu acabo trabalhando muito, trabalho em um lugar onde não existe poesia.
NÃO EXISTE POESIA!!
O que é uma vida sem poesia? No carro de noite eu posso ver várias coisas diferentes do qual escreverei sobre elas depois, isso é a alma do escritor. Numa natureza onde não existe imagem não existe o bem já dizia Tim Maia, e se as palavras fossem ligações para emoções e sentimentos diferentes? O que me difere da menina do sinal?
Não terminei meu soneto, ela não passou denovo.
10.5.10
A paz utópica
Faz de conta que estamos sós no mundo, que todos desapareceram e que a solidão reina em nossa alma. Os carros estão parados, as cidades vazias, os sinais de trânsito já não ordenam. Pode quebrar algumas vidraças para se divertir.
Vento.
Telefones pendurados pelos seus fios.
Faz de conta que os elevadores estão parados nos andares já que não há mais ninguém para apertar os respectivos botões. O relógio da estação do metrô parou, o relógio da igreja parou, o relógio biológico parou... Cai o hamburguer frio no chão.
Faz de conta que ninguém mais liga para o que dá na bolsa de valores, que os mísseis, agora obsoletos, estão em seus Silos inuteis, os petroleiros não estão funcionando e o pré-sal não será movido.
faz de conta que as filas estão vazias, que as escolas estão vazias e não há ninguém para sacar dinheiro no banco, alias, o dinheiro está esparramado pelas calçadas.. Os revólveres já não são usados.
O livro se fecha.
Os carros voltam a andar e as pessoas aparecem, os bancos funcionam, o dinheiro circula, o petróleo é estraido, o assassinato é cometido, as crianças estudam métodos de tortura aplicado nos escravos na colonização brasileira, Wall Street, Big Apple, Avenida Paulista, Praça da Sé, Tókio, Páris... O chute é dado, o tiro é dado, a guerra recomeça, o apito é tocado.
Mas por um segundo, um segundinho, um pequeno e ínfimo segundo criado pela imaginação deixou a Terra em uma profunda Paz
9.4.10
O músico ignorado
Tudo inicia-se com o barulho de um zíper.
E naquele mar de conversas desinibidas pois, há muitas pessoas desconhecidas juntas e isso causa desinibição, ninguém se conhece ao certo para dizer como um ou outro deve viver. As batatas fritas são comidas e o som da final de um copo de refrigerante é ouvido. Sorrisos.
- Boa noite!
No ar há o cheiro da fritura se mistura ao ar condicionado. Garçons fazem contorcionismo para passar entre as mesas juntas trazendo suas bandeijas da Mcdonalds, o "M" sempre está virado para você. Mastiga-se, mastiga-se. Ele tem oito anos de idade, está com sua tia para comprar roupas no shopping quando o pior acontece...
O violão já está fora da capa, sua madeira brilhante, os cabos ligados nas caixas de som, o copo de cerveja sobre o banquinho. Ele disse:
- Boa noite!
Chão sujo! Ele tinha oito anos quando o pior aconteceu, o refrigerante caiu, o garoto chorou, a tia disse que tudo bem e pediu outro. Mas o refrigerante morto ainda estava lá, logo seus restos mortais já estariam limpos, e com a rapidez da faxineira o chão não ficaria grudento porém mesmo assim, todos que passam olham para o cadaver daquele copo de Coca-Cola de 500 Mls.
A música acabou, por extinto aplaudem, educadamente se diz "obrigado" mas no fundo ou melhor, na superfície ninguém sabe qual música fora tocada.
- E agora vou tocar para vocês...
O casal de namorados jovem:
Ele espera a garota já ha 15 mintos. Ela apareceu com seu vestido florido e com seu sorriso, ele sorrira e se beijaram. Nada disseram, apenas pediram o que comer. Entreolharam sorridentes, e ele brincava com um folheto de plano de saude, dado no primeiro andar.
- Como foi seu dia?
- Bem, e o seu?
- Ótimo.
Ela nota que tem essa mesma conversa dês do messenger. Ela nota que é tudo repetitivo. Com o "M" virado para eles, suas bandejas vermelhas sustentavam um hamburguer, um copo de refrigerante (Diet para ela) e batatas fritas. Ninguém fala obrigado ao garçom.
Aplausos. Já se foram 18 músicas e duas horas.
- Obrigado, toda sexta-feira estou aqui para tocar o melhor da música para vocês.
Tudo termina com o fechar de um zíper.
30.3.10
Um estranho perfeito
Um estranho perfeito.
Entre todas as trevas um pouco da minha alma pergunta muitas coisas. Sou estranho a mim mesmo, aquele que olha constantemente no espelho procurando cicatrizes, memórias, laços antigos, talvez até um rosto familiar. Um sem rosto. Penso nos que morreram no Holocausto, penso em cada palavra dita no mundo, e em cada gesto.
Era uma vila perdida no meio do deserto do Atacama, ocas em formato cônico com suas portas viradas para o Oeste, eram os Chipayas. O chefe da-me um pirez de barro com um líquido vermelho de gosto esquisito, ele diz:
- Beba.
Um estranho perfeito.
Nas trevas, ainda procurando, havia outra pessoa me olhando. As ruas estavam desertas naquela hora da manha. Ele estava parado me encarando, tinha olhos brilhantes e um sorriso puramente esquisito, um paradoxo entre mim e o nada pois, havia um certo nada naquilo tudo. Seu andar, seu falar, seu rir, era eu quem estava ali parado com olhos brilhantes. Ele dissera que controlava meu futuro e que o livre-arbítrio era uma mentira como qualquer outra. Ele dissera que eu não tinha muito tempo e tristemente longo estaria longe de novo. Me estendeu uma lata de Coca-Cola e disse:
- Beba.
Um estranho perfeito.
No ninho das ideias, na loucura perdida (ou pedida), nos gritos eufóricos das crianças, nos ratos e nas baratas...
Alguem acabou de ficar milhonário.
No ninho das ideias, perdido com o teclado nas mãos, com o mouse ali parado me encarando. Ele disse:
- Rhuan! Tu não sabes nada!
Eu digo:
- Tudo é fato, nada é verdadeiro, e você cale-se pois é inanimado - e a noite brilha então com o silêncio.
O que me controla, a minha vida que esta ai pairando no ar. Ouço latidos e vejo o que é. Um cão me encara, ele tem olhos brilhantes, tem um vasilhame na boca. Pergunto se ele é a morte, não há resposta, pergunto se ele é a vida, não há resposta, pergunto por que me sinto um completo estranho em tudo e em todos. Pergunto o por quê das coisas e o real motivo de tudo. O vasilhame cai, a água cai porém sobra um pouco. Ele me olha e diz
- Beba.
Um estranho perfeito.
21.3.10
A menina e a chuva
Ela estava esperando na chuva por muito tempo, a chuva já caia a muito tempo. Quem ela esperava? Sua resposta estaria na chegada do suposto, ele falou que viria, ele falou que chegaria em breve, talves estivesse morto e ela não sabe. Talvez ela tenha morrido.
As águas escorriam pelos bueiros, o deserto negro das ruas naquela noite faziam seu triste coraçãozinho tremer a cada batida, ela esperaria ali por uma vida inteira, talvez fosse sua última chance de dizer que ama à alguem ou que odeia o mundo, e se chovia não teria medo da chuva de novo.
O domingo amanheceu cinza, as núvens dançavam, pareciam naves estrelares em guerra do qual se esfarelavam quando uma tocava a outra. Era um domingo triste pois a alegria talvez tenha ficado no sábado, o sábado fora feliz até as 18:00.
Ela escreveu tudo isto num diário.
Ela esperou o dia inteiro, choveu o dia inteiro. Sempre acreditei que a chuva fosse as lágrimas dos anjos mas quando crescemos passamos a não acreditar em anjos, quando crescemos nossos aniversários começam a ter menos pessoas já que nossos amigos também vão sumindo aos poucos. Lentamente ela se vira com 36 anos, casada e com aniversários cada vez mais vazios. Com 70 anos, num asilo, não havia mais bolo, velas, nem ar nos pulmões.
Acordou as 8 da manha com um susto, sonhara.
O domingo se fez tão triste, mas triste que o normal, os anti-depressivos já não faziam mas efeito porém acreditava que estava livre das tristezas naturais do homem, que alias, é uma dor que doi no peito.
Pode rir agora.
Olhou toda a paisagem no ônibus. Estava molhada, era o último ônibus da noite, o motorista era seu amigo, o mundo não.
Mesmo se as estrelas caissem, ela não se sentiria feliz ao certo. Mesmo assim quando chegasse em casa, tirasse sua roupa, deitasse na cama ainda molhada da tempestade que passou ela acordaria no sábado, ela acordaria todas os dias da semana, ela acordaria sempre e mais e mais e mais e mais vezes.
Ela esperou na chuva por toda a eternidade e a chuva estara nela por toda a eternidade.
Assinar:
Postagens (Atom)